"Diferentes grupos de pessoas contribuem para a construção da sociedade de diferentes maneiras. Essa diversidade carrega um significado especial para a estrutura social como um todo. Se a diversidade não houvesse existido, a sociedade humana não teria avançado nem mesmo até a Idade da Pedra, que se dirá do presente estágio de civilização.

Portanto devemos considerar e apoiar imparcialmente todas as diversas idéias, formas e cores que conduzem ao fomento do crescimento pessoal e desenvolvimento social entre os seres humanos. Se falharmos nisso, aquela parte da sociedade que foi construída em torno de uma idéia, forma ou cor particular irá definhar e morrer.

Eu dirijo isso não apenas àqueles que pensam profundamente sobre o bem-estar social, mas a todos os membros da sociedade, para incutir neles que ninguém, através de seus pensamentos, palavras ou acções, jamais deverá tolerar a injustiça."
P. R. Sarkar

segunda-feira, 14 de março de 2011


PENSO, LOGO POSSO PENSAR DIFERENTE

O problema da criação de riqueza versus produtividade, da justiça, da corrupção, da violência, da educação, da iliteracia, das famílias desestruturadas e da redução das desigualdades económicas e sociais, não passa por mais dinheiro gasto, nem mais leis, mais tribunais, mais polícias, mais anos na escola, mais noções de economia para criancinhas, mais psicólogos e psiquiatras, mais prozac, mais despedimentos "na hora", mais privatizações, mais competição, menores remunerações ou por subsídios. Tudo isso são consequências de um sistema que assenta na violência sobre os animais, na ultra-exploração do planeta e na competição felina por riqueza, status e poder, onde tudo é válido, justificado pelo “santo mercado” sobre uma aparente capa de democracia, igualdade e liberdade. Males “combatidos” com rios de dinheiro que esvaíram o país e continuarão até ao colapso se não houver inversão atempada.

O “campo da Mãe de todas essas batalhas” é no interior de cada Homem, nenhum corruptor ou corrupto está sozinho, nenhum explorador é individualmente culpado de todos os males; nenhum formador é bom mestre se não tem em si o exemplo para oferecer, nenhuns pais sabem educar se não são coerentes; ninguém é bom patrão quando olha os seus empregados como instrumentos para o seu prazer, nem ninguém é bom trabalhador quando não ama o que faz e se sente explorado; nem nenhum cidadão minimamente esclarecido se sente motivado para dar o seu melhor num sistema que está amplamente viciado.

Esta é a sociedade dos espertos e oportunistas, que usuram, exploram e enganam com a mesma consciência com que saboreiam o bife, sem que a sua mente alguma vez se interrogue sobre a respectiva origem e o seu coração se atormente com a dor causada. O reverso dessa “moeda”, é a sociedade dos Homens que são meias-pessoas, que vivem em liberdade condicional aos fim de semana, que também inconscientemente saboreiam o bife sem se interrogarem, que trabalham no exército da produção em massa em tarefas que odeiam por remunerações apenas suficientes para os manter vivos, aliciados a consumir mais e mais, para mais escravizados ao sistema ficarem. Uns e outros, guardas prisionais ou prisioneiros na mesma “prisão”, libertam as suas ansiedades no consumo compulsivo, na mesa farta com abdómens dilatados, na tourada do pobre touro, na caça, na novela de emoções doentias, ou no futebol que os narcotiza.

E sempre, sempre pagando mais para um Estado que os formata, e endivida, com um rio de milhões de euros, para que os seus filhos nada mais sejam que um título académico que já para nada serve, para um sistema de saúde que engole riqueza à tonelada, para curar doenças causadas pelo sistema mórbido de alimentação humana e duma estruturação económica e social podre.

Não, este não é mais um combate político, é um combate pela Vida, pela dignidade, pela libertação daqueles que já nem imaginação têm para conceber uma organização social diferente, verdadeiramente Humana, fraterna, compassiva e ética. Onde a realização do ser humano esteja no centro, onde produzir seja parte da Vida e não o objectivo último da Vida.

Libertemos opressores e oprimidos, todos eles são vítimas, fazem parte do mesmo jogo!

Respeitemos todas as formas de Vida senciente e muitas mudanças ocorrerão nas relações humanas e na respectiva estrutura social e económica. A mão que se abate sobre a presa, o garfo que vota que se mate, a farpa que se espeta e aplaude no touro, o dedo que puxa o gatilho e mata, pertence a alguém e diz muito sobre esse alguém, e afecta inexoravelmente essa pessoa e todos os que com ela convivem, na escala familiar, social e civilizacional. Somos os nossos actos, os nossos actos somos nós.

Respeitar os animais é respeitarmo-nos a nós próprios!

Ser meio-compassivo, é ser violento. Atrás da “pequena” violência esconde-se a grande violência, seja ela física, psicológica, emocional, económica, legal, fiscal, laboral, social ou ambiental.

Este é o Bom combate! Começa por ti!

6 comentários:

voz a 0 db disse...

Infelizmente para todos os Animais que vivem neste Planeta não existirá qualquer alteração. Enquanto o Animal Humano viver sob a sombra do SISTEMA MONETÁRIO E DA RELIGIÃO... a Vida neste planeta perdido no Cosmos será sempre semelhante... a solução para este problema é radical, e passa pela extinção da actual espécie. Com o passar do tempo pode ser que a evolução consiga produzir uma espécie que seja o oposto da actual. Nós, nunca tivemos, nem nunca teremos capacidade de evoluir nesse sentido... A prova disto está no Passado...

Paulo Borges disse...

O homem é um ser que pode evoluir em muitos sentidos, mas só num se pode libertar e é esse que o António Caldeira aponta. Inteiramente de acordo, embora nem todos o possam imediatamente compreender.

António Caldeira disse...

O ovo nasce da galinha e a galinha põe ovos. A História não se repete em ciclos curtos, mas podemos quebrar a prisão circular da violência, se fizermos a Paz em nós próprios.

Maria da Guia Matos disse...

A mudança mais difícil de operar é em nós próprios, por isso custa tanto mudar mentalidades. Mudar-se a si mesmo exige uma tomada de consciência interior que em nenhum momento pode fechar os olhos. Quando escolhemos viver em consciência começa-se um processo duro mas também libertador porque passamos a viver totalmente em verdade. Confesso que em relação ao sofrimento animal, a minha tomada de consciência provocou-me e continua a provocar muito sofrimento, mas eu prefiro ser consciente e não fazer parte daqueles que contribuem para esse sofrimento.

Novas dimensoes do Conhecimento disse...

Essa mudança é ao mesmo tempo dificil e facil. Poderá depender de algo que so compreendemos claramente se tivessemos acesso a todo o processo que fez desabrochar a vida humana.

Ana Teresa disse...

É difícil olhar á volta e ser se incompreendido, quando na verdade é tão fácil somar 2+2...

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