"Diferentes grupos de pessoas contribuem para a construção da sociedade de diferentes maneiras. Essa diversidade carrega um significado especial para a estrutura social como um todo. Se a diversidade não houvesse existido, a sociedade humana não teria avançado nem mesmo até a Idade da Pedra, que se dirá do presente estágio de civilização.

Portanto devemos considerar e apoiar imparcialmente todas as diversas idéias, formas e cores que conduzem ao fomento do crescimento pessoal e desenvolvimento social entre os seres humanos. Se falharmos nisso, aquela parte da sociedade que foi construída em torno de uma idéia, forma ou cor particular irá definhar e morrer.

Eu dirijo isso não apenas àqueles que pensam profundamente sobre o bem-estar social, mas a todos os membros da sociedade, para incutir neles que ninguém, através de seus pensamentos, palavras ou acções, jamais deverá tolerar a injustiça."
P. R. Sarkar

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

DO VOTO ÚTIL E DA INDIGNAÇÃO AO VOTO DE CONVICÇÃO!

Começamos por constatar que o chamado  "voto útil" tem conduzido sempre ao mesmo: PS é governo com PCP+BE na oposição de esquerda, e PSD+CDS na oposição de direita.Ou então: PSD+CDS no governo e PS na oposição dita responsável (???) e PCP+BE na oposição de esquerda.
Resultado: os governos do nosso país  têm sido pautado pelas políticas do PS ou do PSD+CDS. 



E em que diferem ou têm diferido essas políticas? Em praticamente nada, até porque as políticas económicas e financeiras têm sido ditadas pela UE e tudo  indicia que o serão cada vez mais.


Pela sua postura e posicionamento quanto aos interesses perseguidos,  o PSD+CDS são levados a adoptarem práticas políticas favorecendo interesses da Igreja Católica, e mais próximas dos interesses dos lobbies empresariais mais ligados aos sectores tradicionais da economia  (para os quais os trabalhadores não devem ter direitos, como defende o actual ministro da economia).


O PS assume defender os interesses de quem trabalha, mas na prática aceita todas as orientações neo-liberais que vêm da UE (flexidade dos despedimentos,...), e essa aceitação chega a ser  inclusive vincada pelos dirigentes sindicais da UGT (com o seu habitual sorriso amarelo)!


E o PCP e o BE o que têm feito? Oposição de esquerda. E o que é isso, ou em que medida isso tem servido para alguma coisa? Os trabalhadores cada vez vão tendo mais dificuldades em aguentar o custo de vida e os impostos que lhe têm caído em cima do lombo, por isso tem-se tornado  mais fácil ao PCP e aos  sindicatos por si controlados ( CGTP) fazerem  manifestações: pelo direito ao trabalho, ..., e fica tudo na mesma ou pior, até porque essas manifestações geralmente são efectuadas depois dos factos consumados!


O BE tem demonstrado intervenções assertivas em situações pontuais, causando incómodos ao Governo, mas como o Governo sabe que o BE está isolado (o PCP não ajuda muito as iniciativas do BE, e o PS assobia para o lado), os Governos continuam  a fazer asneiradas. em prejuízo dos trabalhadores e beneficiando sempre os mesmos: os donos do dinheiro.


Perante este estado de coisas, o voto útil apenas tem conduzido a mais do mesmo: entrega de sectores económicos estratégicos para a soberania nacional a grupos económicos, com isso gerando aumentos gerais de preços e recessão na economia,  e sempre piorando o estado de coisas nomeadamente para quem trabalha, que crescentemente se vê despojado do seu rendimento disponível, e ao mesmo tempo assiste ao aumento do desemprego.


Esse tipo de governação apenas tem gerado indignação na maioria dos cidadãos, e essa indignação conhece limites, contemplados na CRP (artº 21º) que consagra o direito à resistência dos cidadãos perante o abuso do poder, a ausência de informação, e as negociatas e o servilismo dos interesses particulares, praticados de má fé (pois não contemplados nas respectivas promessas eleitorais ) pelos governantes.

Não constitui  solução pretender combater essa indignação, com o alheamento dos actos eleitorais, com a abstenção, pois essas recusas de exercer responsavelmente o direito de voto,  acabam afinal, por ratificar os governos dos "indignos", ou seja daqueles que em campanha eleitoral prometem servir o interesse geral da sociedade, e que uma vez eleitos se dedicam a servir sem hesitações,  interesses particulares, e os seus próprios interesses pessoais, em prejuízo dos cidadãos em geral e nomeadamente de quem trabalha e afinal cria toda a riqueza nacional!


Assim sendo, então venha lá o voto por convicção, convicção em valores de cooperação e solidariedade social, valores que se forem maioritários eleitoralmente poderão  transformar pela via jurídico-social,  este sistema jurídico-económico que conduz à exploração do homem pelo homem, ao desemprego em massa de milhões de pessoas,  transformando-o antes  num sistema  jurídico-económico baseado em leis de cooperação e solidariedade social, as quais  obrigarão à tomada de medidas que sirvam efectivamente o interesse geral e não os habituais interesses particulares, de quem detém o poder económico.


Põe-se a questão de esses valores conquistarem os votos maioritários  do eleitorado, o que passará necessariamente pela apresentação de programas de governo credíveis, isto é nos quais o eleitorado acredite que vale a pena votar,  acredite que são efectivamente exequíveis e acredite nas pessoas que integram os partidos políticos que os propôem.



Utopia?



Nem pensar, realismo imperativo, pois sabemos que temos de conquistar a maioria do eleitorado para o nosso paradigma de uma sociedade governada com equidade , justiça e solidariedade  social, contemplando os objectivos de bem estar qualitativo  dos cidadãos, o respeito pela dignidade e bem estar dos animais, e o respeito pelos equilíbrios dos nossos ecossistemas naturais, e o eleitorado será conquistado e identificar-se-á com programas credíveis e realistas, apresentados por cidadãos integrando partidos políticos que defendam e pratiquem de facto valores éticos universais, e se proponham refundar uma nova sociedade baseada na cooperação e no bem comum!

3 comentários:

winningcombinationsofficial disse...

Lamento. Quem faz um texto destes revela um profundo desconhecimento do que se passa na Assembleia da República, dos seus trabalhos e, até, dos partidos que a compõem, preferindo colar-se a dogmas e a "cassetes" do que fazer uma investigação séria e profunda. Assim, este texto não passa de propaganda populista na lógica do "vamos dizer mal do outro para ver se roubamos votos na próxima vez", faceta que desconhecia do PAN e que me levava a respeitar este partido. Mas sou capaz de ir mais longe e de concretizar com exemplos o que digo, para não fazer figuras tristes. Não contraponho as acusações que faz à direita PS(D)/CDS porque não me compete falar pela direita. Sou um homem de esquerda e é a esquerda que aqui leva ataques aos quais me sinto obrigado a responder, quiçá com alguma aspereza. Diz Manuel Alves que o PCP e a CGTP têm a vida facilitada pelos sucessivos ataques aos trabalhadores para fazerem as suas manifestações. Di-lo o senhor Manuel Alves com o mesmo desplante de quem diz "aqueles só servem para isto". E, então, passa o senhor Manuel Alves por ignorante, por não se dar ao trabalho de pesquisar as resoluções ou projectos de lei, já para não falar das intervenções, que isso são muitos minutos de vídeos (que até estão os mais importantes no Sapo) e não queremos perder tempo, não é? Depois diz que o BE tem feito intervenções assertivas. Sejamos coerentes. Diz depois que o PCP não ajuda o BE. Isto é mentira. A esquerda na maioria dos assuntos está unida, e contam-se pelos dedos as vezes em que não está. E se o BE tem feito intervenções assertivas, igualmente as tem feito o PCP. O BE representa uma esquerda que quer combater, e bem, as desigualdades sociais e económicas, mas que não se revê no PCP. No entanto, o antigo preconceito do BE em relação aos comunistas há muito que foi ultrapassado. Devia pensar em actualizar-se.
Depois há a coisa mais grave, que é o desconhecimento total de uma outra bancada parlamentar na AR, a do PEV. Não sei se por inveja de um partido verde já lá estar ou se por ter a cassete de que PEV=PCP demasiado enfiada na cabeça, mas essa omissão parece-me propositada e, no mínimo, maldosa.

Está é a minha opinião, de um cidadão independente, de esquerda, livre e democrata, que olha com respeito e amizade para o PAN - partido no qual não votei, por algumas discordâncias no conteúdo programático e nada mais -, mas que textos como estes me fazem afastar um pouco mais do partido.
Saudações,
Tiago Martins

Manuel Alves disse...

Caro Tiago Martins,

Obrigado pelo seu comentário.

Só efectuei uma abordagem global da situação política portuguesa, em termos das grandes alternativas oferecidas ao eleitorado, nas sucessivas eleições, por isso não entrei em linha de conta com a "produção legislativa" de cada partido político na Assembleia da República.

Nas grandes propostas que são oferecidas ao eleitorado, considerei as veiculadas pelos partidos principais, e de facto o PEV aparece muito diluído no seio da CDU, não sendo visíveis perante o eleitorado as propostas autónomas pertencentes ao PEV.

Diferente poderia ser o caso se o PEV marcasse melhor o seu terreno no seio da coligação, o que assim não acontecendo de facto, aparece então aos olhos do eleitorado essa coligação CDU liderada, controlada e dominada pelo PCP (por exemplo, os jornalistas só perguntam ao PCP se as eleições correram bem ou mal, ...).

Quanto às intervenções políticas na Assembleia da República -situação não abordada - aí nota-se a grande capacidade de análise sócio-económica da deputada Heloísa Apolónia do PEV, para mim, bastante mais elaboradas que as do próprio PCP, pois geralmente são mais incisivas, e mais próximas do quotidiano dos cidadãos.

O facto de ser fã das intervenções da deputada Heloísa Apolónia, pela qual nutro simpatia pessoal, não adianta grande coisa em relação ao posicionamento do PEV, relativamente a situações inadmissíveis na sociedade portuguesa, como o sejam a prática repugnante dos espectáculos das touradas.

O PEV, já deveria ter assumido a alteração do Código Civil, o qual considera os animais como mero objectos, e devia ter liderado iniciativas a favor da não tortura dos animais sencientes, a par dos equilíbrios dos ecossistemas naturais.

Aliás o grupo parlamentar do PEV (tal como os outros ) tem uma proposta apresentada por mim, para ser interditada de imediato a transmissão televisiva das touradas, já que as imagens transmitidas, pela sua crueldade sangrenta cometida sobre o animal touro, violam por si só, a personalidade dos menores, e logo a transmissão dessas imagens colide com o cumprimento do artº 69º da CRP (o qual visa a protecção da personalidade dos menores).

Concluo por isso que o PEV está, tal como os demais partidos, que não o PAN, informado de uma filosofia antropocêntrica e egocentrista, que leva o PEV a ignorar a necessidade de ser promovido o bem estar qualitativo de todos os seres sencientes, humanos e não humanos, a par da defesa da natureza.

Até ver, considero que o PAN é o único partido político informado de uma visão holística e biocêntrica, que lhe permite adoptar valores éticos universais (e não meramente humanistas), e como tal o PAN surge como um partido inteiro, na defesa do bem das pessoas, dos animais e da natureza.

Saudações democráticas

Manuel Alves

RT disse...

Tiago Martins, se um cidadão respeitável não pode escrever um artigo sem ser por si insultado e chamado de ignorante e mentiroso, eu vejo isso como mais um sinal da exausta e insuportável maneira de fazer política na AR. Não são poucas as vezes que o nível de discussão é o da birra de adolescentes em recreio de liceu.
Para ser claro, TODOS os partidos actualmente com assento parlamentar me repugnam, e adiro ao o PAN porque representa uma visão da política (e da vida global) com a que me identifico, e, como mostram os resultados eleitorais, não estou sozinho.
Cumprimentos,
Rafael Toral

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